Bankers Academy

Passo 2 · Opções de carreira

Um mercado.
Muitos caminhos.

O capítulo compara ambientes, funções e lados do mercado antes de posicionar as principais possibilidades no mapa.

Use seu perfil, mais comercial ou mais analítico, como ponto de partida, não como limite.

O que o livro fala sobre Opções de carreira:

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01

Trabalhar no mercado financeiro é o mesmo que trabalhar com finanças numa empresa?

Duas rotinas, dois clientes e uma bifurcação que vem antes de qualquer escolha de área.

Não. São dois ambientes com dinâmicas muito diferentes. No mercado financeiro você tende a se especializar em um produto ou serviço e a atender vários clientes com ele. Em finanças dentro de uma empresa você atende um cliente só, a própria empresa, em todos os aspectos da operação dela.

Essa é a primeira bifurcação do capítulo, e ela vem antes de qualquer escolha de área. Não se trata de decidir entre um caminho melhor e um pior: trata-se de reconhecer que a rotina, o cliente, o grau de especialização e a forma de medir resultado mudam conforme o lado em que você entra.

Quem trabalha no mercado financeiro constrói valor por meio de produtos e serviços vendidos a terceiros. A especialização é profunda e estreita: um analista de Equity Research cobre um setor específico, um profissional de DCM conhece instrumentos de dívida, um trader domina uma classe de ativos. O aprendizado vem da repetição de transações com clientes diferentes.

Quem trabalha com finanças dentro de uma empresa faz o percurso inverso: conhece uma organização inteira por dentro. O escopo é largo: contas a pagar e a receber, impostos, reconciliação, reporting, planejado versus orçado, geração de caixa, estrutura de capital, risco, M&A. E o valor está em conectar decisão financeira e operação.

Não existe carreira melhor. Existe a carreira em que você se destaca com menos sacrifício.

Vale reter uma coisa antes de olhar o mapa: a pergunta útil não é qual lado é melhor, e sim em qual dinâmica você consegue aprender, entregar valor e sustentar uma carreira longa. É essa resposta que o restante do capítulo ajuda a construir.

02

Como ler o mapa Personalidade vs. Vagas?

Dois eixos, quatro cantos, e uma leitura que muda à medida que a carreira avança.

O mapa cruza dois eixos. O horizontal vai das carreiras mais comerciais, à esquerda, às mais analíticas, à direita. O vertical vai das carreiras mais exclusivas, no alto (as que têm menos vagas), às mais abundantes, embaixo, onde há mais oportunidades de entrada.

O ponto que costuma ser mal interpretado é o seguinte: o gráfico não determina qual carreira serve para cada tipo de pessoa. Ele indica o que você vai precisar desenvolver para ser competitivo na carreira que escolher. Um perfil analítico que quer uma função comercial não está impedido de segui-la; está avisado de onde terá de investir.

Exclusividade também não é sinônimo de superioridade. Uma posição exclusiva é simplesmente uma posição com menos vagas disponíveis e, por consequência, processo seletivo mais disputado. Isso diz respeito à oferta de cadeiras, não à qualidade da carreira nem de quem a ocupa.

Uma observação do autor que muda a leitura do gráfico: ele representa as carreiras no começo da jornada. À medida que o profissional avança, tende a convergir para o meio e para o topo: há muito menos vagas sêniores, o que torna qualquer trajetória mais exclusiva com o tempo. E os dois eixos se aproximam: carreiras analíticas exigem chefes com repertório comercial, e carreiras comerciais exigem chefes com mais fundamento técnico.

03

O que muda de um canto do mapa para outro?

A moeda de troca muda de canto a canto: profundidade técnica, relacionamento ou número de portas de entrada.

Muda a moeda de troca. No alto e à direita, o que diferencia é profundidade técnica. No alto e à esquerda, é relacionamento e leitura de gente. Embaixo, de um lado e de outro, o que muda em relação ao topo é a quantidade de portas de entrada.

Acima e à direita

exclusivo e analítico

Investment Banking, Structuring, Restructuring, Equity Research, Macro Research e Hedge Funds.

As posições mais disputadas do mercado. Exigem profundidade técnica desde a entrada: modelagem, valuation, leitura de demonstrações e capacidade de sustentar uma tese com números.

Acima e à esquerda

exclusivo e comercial

Sales, Private Equity, Corporate Banking, Private Banking, ECM e DCM.

Também são poucas vagas, mas a moeda principal é outra: originação, relacionamento e capacidade de conduzir uma conversa difícil com um cliente sofisticado.

Abaixo e à direita

mais vagas, analítico

Risco, Crédito, Tesouraria, FP&A e financial planning.

Mais posições abertas e entrada mais acessível, sem que o trabalho deixe de ser técnico. Para muita gente é o caminho mais realista de começar em finanças e migrar depois.

Abaixo e à esquerda

mais vagas, comercial

Gerente de banco, assessor de investimentos, relações com investidores e gestão de patrimônio.

É onde existe o maior número de oportunidades de entrada no mercado financeiro, e por isso mesmo, onde mais gente começa.

04

Até onde vai uma carreira de finanças dentro de uma empresa?

Até o topo, mas o caminho passa por áreas bem definidas e um conjunto específico de competências.

Até o topo. O cargo máximo da área é o diretor financeiro (o CFO), e parte dos CFOs chega à presidência da companhia. O caminho até lá passa por áreas bem definidas, e o que se exige muda conforme a empresa amadurece.

As portas de entrada mais comuns são business development, que prospecta e avalia novas oportunidades e pode incluir M&A; planejamento estratégico e FP&A, que traduz a estratégia de médio e longo prazo em números e projeções; tesouraria, responsável pela gestão de caixa; gestão de risco, que acompanha e reporta riscos financeiros e operacionais; e o escritório do CFO, que integra os subdepartamentos da área.

Há ainda funções menos óbvias que mostram a versatilidade da área: gestão imobiliária, por exemplo, em negócios que precisam avaliar compra versus aluguel, condições de refinanciamento e uso dos ativos próprios.

O que o livro chama de CFO estratégico não é definido por saber contabilidade. É definido por cinco competências: conhecimento profundo do negócio, indo além da visão financeira para entender mercado, concorrentes, oportunidades de crescimento e cultura da empresa; comunicação efetiva, porque números precisam vir acompanhados de uma narrativa para fazer sentido, e porque o CFO precisa saber dizer não; gestão de expectativas, com transparência e alinhamento de premissas do estagiário ao CEO; gestão de pessoas, já que a área financeira é referência para a empresa inteira; e acompanhamento tecnológico e regulatório, incluindo inteligência artificial, blockchain e a regulamentação do setor.

O departamento financeiro deve atuar como um DJ em uma festa: ninguém percebe quando ele vai bem, mas todos notam quando ele não performa.

Essa imagem do autor explica por que, em empresas não financeiras, o financeiro é um cargo de bastidor: ele apura resultados, controla riscos e ajuda a criar a narrativa corporativa para sócios e investidores, sem ofuscar o negócio principal.

Por fim, um ponto prático para quem vai atender empresas: a atuação do CFO depende menos da competência dele do que de onde ele está. Empresas menores estão preocupadas em receber e pagar. Multinacionais centralizam o planejamento financeiro globalmente. Grandes corporações delegam decisões financeiras ao CFO. Já em empresa de dono, quem decide é o dono, não importa o tamanho. Aprenda a reconhecer quanto poder o CFO do seu cliente de fato tem.

05

Do Excel Master ao Joe: os oito níveis de evolução do CFO

Um jeito informal de medir o quanto o financeiro de uma empresa já evoluiu, do básico ao estratégico.

O livro descreve oito apelidos para o nível de sofisticação de um CFO, do mais operacional ao mais estratégico: Excel Master, T. Nightmare, BI Dreamer, Xerife, Golden Boy, Robocop, Ninja e Joe.

Cada nível acumula as responsabilidades do anterior. O CFO começa cobrando e pagando contas, recolhendo impostos e fazendo reconciliação financeira e contábil: o básico de qualquer área financeira. Dali evolui para montar painéis de controle, produzir reporting e acompanhar planejado versus orçado.

Nos níveis mais avançados entram o foco em geração de caixa, o cálculo de Value at Risk e a gestão da estrutura de capital. No topo está o CFO data driven, que incorpora ESG, participa da transformação digital da empresa e atua em transações estratégicas: IPOs, follow-ons e fusões e aquisições.

Esse último CFO ganhou o apelido de Joe, porque, segundo o autor, ele parece ser "de outro mundo".

A evolução não depende só da competência do profissional: depende também de quanto a empresa já amadureceu e de quanto poder financeiro ela delega ao cargo.

06

O que são Sell Side e Buy Side?

Duas descrições do fluxo do dinheiro, não da personalidade de quem trabalha em cada lado.

São descrições do fluxo do dinheiro, não da personalidade de quem trabalha ali. O Sell Side reúne quem oferece ou intermedia produtos financeiros. O Buy Side reúne quem tem capital para comprá-los. Entre os dois há quem ajude ambos a originar e executar transações.

No Sell Side estão, em sentido restrito, os emissores de títulos: empresas, governos e instituições financeiras. Em sentido amplo, entram também as pessoas envolvidas no processo, como os assessores financeiros. Dentro dos bancos, as duas áreas mais visíveis são Investment Banking, que assessora transações de M&A e mercado de capitais, e Corporate Banking, que atende as demandas financeiras do dia a dia das empresas.

No Buy Side estão todos os que compram ativos em nome próprio ou de seus clientes: gestoras de recursos, fundos de pensão, fundos de hedge, private equity e outras instituições. O trabalho envolve análise de investimentos, pesquisa de mercado, modelagem e execução de compra e venda, sempre dentro dos critérios de risco e retorno acordados com os investidores.

Entre os dois lados operam os intermediários. O Research do Sell Side produz análises e relatórios com recomendação de compra e venda: o mais conhecido é o de ações, mas há também macroeconômico, de renda fixa e de commodities. O Research do Buy Side faz análise para investimentos proprietários. O Sales atende clientes institucionais como hedge funds, family offices e fundos de pensão. E o Trading executa a negociação dos ativos, conectando o cliente ao mercado.

Uma consequência prática desse desenho: com exceção do Research do Buy Side, essas áreas são remuneradas quando o cliente decide investir e movimenta o portfólio. Dependendo do produto, isso aparece como corretagem, em ações; rebates, em fundos; ou spread, em juros. Entender de onde vem a receita da área explica boa parte da rotina dela.

Por trás de tudo isso existe o suporte, sem o qual nenhuma transação acontece: back office, cuja principal área é Operations; gestão de risco, responsável pelo cálculo de V@R, índice de Basileia e RAROC; e compliance, que garante a adequação do banco às políticas e à legislação. Uma medida comum de eficiência de um banco é justamente a relação entre back office e front office: quantas pessoas são necessárias para sustentar o que uma vende.

Jargão da indústria

Buy Side e Sell Side são úteis para entender o mercado, mas não são usados para cargos dentro do banco. Ali, Buy Side é o cliente; a área que compra para o próprio banco chama-se mesa proprietária; o Sell Side do banco é o front office, todas as áreas com contato direto com clientes institucionais e corporativos; e as áreas que apoiam a execução são o back office.

Daí vem a resposta para uma dúvida frequente: não gostar de vender não é motivo para escolher o Buy Side. Os dois lados têm funções comerciais e funções técnicas, posições de originação e posições de execução. Primeiro entenda a atividade; depois avalie o perfil que aquela função específica exige.

Sell Side e Buy Side descrevem o fluxo do dinheiro, não descrevem o seu perfil.

07

Como o mercado se organiza, do Sell Side ao Buy Side

Um mapa das equipes por trás de cada lado da mesa: dos bancos às empresas, dos fundos aos investidores.

De um lado, o Sell Side: bancos de investimento, mesas de vendas e negociação, e as próprias empresas que buscam esses serviços. Do outro, o Buy Side: fundos, investidores institucionais e investidores de varejo. No meio, o Research conecta os dois lados, e o suporte garante que cada transação aconteça.

Sell Side

  • Investment Banking: organizado por indústria, região, M&A, leveraged finance, financial sponsors, ECM e DCM.
  • Sales & Trading: opera Equity, Fixed Income, FX, Derivatives, Commodities e fundos de investimento.
  • Empresas: Business Development, Strategic Planning/FP&A, tesouraria, gestão de risco, escritório do CFO, relação com investidores e, às vezes, uma área de Real Estate.
  • Corporate Banking: atende as demandas financeiras recorrentes dessas mesmas empresas, com financiamento sindicalizado, asset-backed lending e trade financing.

Buy Side

  • Investment Funds / Asset Management e Hedge Funds: investem em Equity, Fixed Income e Real Estate.
  • Private Equity: Leveraged Buyout, Growth Capital, Mezzanine Capital e Venture Capital.
  • Institutional Investors: fundos de pensão, seguradoras, endowments, trusts e fundos soberanos (SWF).
  • Bancos de desenvolvimento: recursos voltados a fomentar a economia ou o desenvolvimento de uma indústria ou setor específico.
  • Retail Investors: pessoas físicas investindo diretamente no mercado.

Entre os dois lados, o Research analisa e recomenda; por trás de tudo, back office, gestão de risco e compliance sustentam cada transação.

08

Quem é o Buy Side: as cinco portas de entrada para quem tem capital

De fundos de investimento a investidores de varejo, cada um com regras e apetites diferentes.

Buy Side é todo mundo que compra ativos financeiros em nome próprio ou de terceiros, e inclui pelo menos cinco tipos de investidor, cada um com uma lógica diferente de atuação.

Asset Management: fundos de investimento (e estruturas parecidas) são grandes compradores de ações, dívida e outros títulos do mercado financeiro. Alguns são especializados, outros multimercado, mas quase todos seguem legislação que limita a atuação do gestor, para proteger o cotista.

Hedge Funds: fundos para investidores qualificados, com legislação mais flexível, o que atrai gestores com estratégias mais arrojadas, muitas vezes usando derivativos. O nome vem de operações "hedgeadas": comprar uma ação e vender outra do mesmo setor, apostando na diferença entre as duas mais do que na direção do mercado.

Investidores institucionais: investidores qualificados que representam os interesses de uma instituição financeira, como fundos de pensão, seguradoras, fundos de endowment, trusts e fundos soberanos.

Bancos de desenvolvimento: têm recursos voltados a fomentar a economia ou o desenvolvimento de uma indústria ou setor específico.

Investidores de varejo: pessoas físicas que investem diretamente no mercado financeiro. Não são considerados investidores qualificados, e por isso contam com uma legislação mais protetora.

Isso aqui é um resumo. O livro completo mergulha fundo nesse assunto, com exercícios práticos, os bastidores reais de 14 anos em investment banking e o raciocínio inteiro que transforma teoria em oferta de emprego.

Leia mais em De Cabeça No Mercado Financeiro

Mapa das carreiras

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José Roberto Securato Junior · Bankers Academy

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José Roberto Securato Junior

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As dúvidas que mais chegam sobre este passo

Sou analítico, mas quero uma carreira comercial. Consigo?

Sim. O mapa indica as habilidades que você precisará desenvolver; ele não limita sua escolha.

Assessor, financial planner e gerente de banco: como se comparam?

Assessoria já é consolidada e segue crescendo; a função tradicional de gerente tende a diminuir; financial planning é uma atividade mais complexa e ainda está ganhando espaço no Brasil.

Consigo migrar entre empresas e bancos?

Em geral, é mais fácil sair de um banco para uma empresa do que fazer o caminho inverso. As estruturas e o ritmo são diferentes, e bancos costumam ser mais intensos e competitivos.

Não gosto de vender. Devo focar no Buy Side?

Não necessariamente. Sell Side e Buy Side descrevem o fluxo de dinheiro, e os dois lados têm funções comerciais e técnicas.

Investment Banker e Corporate Banker são a mesma coisa?

Não. Investment Bankers originam e executam transações; Corporate Bankers atendem necessidades financeiras recorrentes das empresas por produtos e serviços.

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