Bankers Academy

Passo 3 · Escolha de carreira

A carreira certa para você

Escolher uma carreira no mercado financeiro não é descobrir uma resposta perfeita. É reunir evidências sobre você, entender o trabalho real e assumir uma direção que possa ser testada e desenvolvida.

O que o livro fala sobre a carreira certa para você:

Clique nos cards para saber mais

01

Não tenha medo de ser feliz

Cabe a você decidir qual carreira é certa, e não a ninguém que tente decidir isso por você.

Cabe a você decidir qual carreira é certa para você. Não deixe ninguém tomar essa decisão no seu lugar, e muito menos alguém dizer que "tal carreira não é para você". Se você seguiu os passos anteriores deste método, já tem uma ideia mais clara de quem você é e de quais opções do mercado financeiro fazem mais sentido para o seu perfil.

Não se deixe influenciar pelo que lê nas redes sociais, pelos amigos ou por pré-conceitos que você mesmo criou sem perceber. Você merece o esforço de entender o que faz sentido para você, e não deveria descansar enquanto isso não estiver mais claro.

Por que vale a pena investir nesse autoconhecimento? Porque você será mais feliz. Encontrar a sua vocação torna a vida mais fácil: você supera desafios com mais naturalidade, agrega valor com menos esforço e enfrenta menos frustração. Esse conjunto se traduz em resultado, e resultado gera mais motivação e mais sucesso.

E se você for do tipo cabeça-dura, decidido a forçar um encaixe que não é natural? Tudo bem, muita gente é assim, e com trabalho duro, resiliência e determinação, talvez chegue lá. Ninguém duvida da sua capacidade. Mas vale lembrar: você estará competindo com pessoas com mais aptidão e inclinação natural para aquele caminho, terá que se esforçar mais para se destacar, e a comparação de fato não será justa.

Não se preocupe em tomar a decisão certa. Foque em fazer dar certo a sua decisão.

02

A loja de doces que resolveu em 2 horas o que travou um analista por semanas

Uma lição sobre buscar demais e valorizar de menos o que já está nas suas mãos.

Bastidor · Securato

Um analista queria a responsabilidade de fazer sozinho a modelagem financeira completa de um projeto da SP Advisors (SPA). "Não serei feliz enquanto não fizer um modelo completo", dizia ele. Quem sou eu para ficar entre alguém e a sua felicidade? Entreguei a ele uma operação pequena e sem grandes riscos: a compra de uma loja de doces: receita de doces e café, CPV previsível, despesas óbvias, capex zero. A maior ousadia do modelo foi incluir sorvete no mix de produtos.

Enquanto o analista sofria para fechar aquele modelo simples (que eu teria feito em duas horas), eu fui cuidar de outras coisas e fechei a transação antes dele. Não sei se ele encontrou a felicidade que procurava, mas nunca mais trabalhou com modelagem na SPA.

Vejo gente demais perder boas oportunidades porque procura demais: espera um emprego melhor, um relacionamento melhor, uma casa melhor, e não valoriza o que já tem nas mãos. Ir atrás do que você quer é ótimo, faça isso sempre. Outra coisa bem diferente é ficar entre duas alternativas, não conseguir decidir, e terminar sem nenhuma das duas.

Decida-se de forma consciente e não olhe para trás. Trabalhe duro para que a escolha que você fez se transforme na melhor escolha que você poderia ter feito. Assuma o controle da própria carreira, seja protagonista, e faça certa a sua escolha.

Não faz sentido se perguntar "e se eu tivesse escolhido diferente", essa decisão ficou no passado e nunca vamos saber como teria sido. A única certeza é que seria diferente. Busque conforto no fato de que você tomou a melhor decisão possível com as informações que tinha naquele momento. Isso sempre será verdade, a não ser que você tenha o hábito de escolher deliberadamente a pior alternativa.

03

"É sexy" e "paga bem" não são motivos pra escolher essa carreira

As respostas mais comuns em entrevista são também as que menos resistem à pergunta seguinte: e daí?

A primeira coisa a esclarecer é se o mercado financeiro realmente faz sentido para você, e essa pergunta é menos óbvia do que parece. Engenheiros, advogados e até um médico cirurgião (apelidado carinhosamente de "Doctor") já trocaram suas áreas de origem pelo mercado financeiro. A maioria dos interessados, porém, vem de administração, economia e contabilidade.

Ao pedir para justificarem essa escolha, já ouvi respostas que não resistem à pergunta seguinte:

  • "É sexy!" Não, não é.
  • "Paga muito bem!" Até pode pagar, mas um médico também ganha bem, assim como muitos jogadores de futebol e cantores sertanejos.
  • "É intelectualmente desafiador!" Boa parte do trabalho é processo; algum deles não mudou em nada nos últimos 100 anos.
  • "Eu gosto de finanças" ou pior, "eu acredito em finanças", como se fosse religião.

Nenhuma dessas razões justifica, sozinha, a preferência por essa carreira. O mercado financeiro tem cultura própria: competitiva, guiada mais por resultado do que por propósito, com jornadas longas e cifras que fogem do senso comum: imagine fechar uma transação de US$ 4 bilhões. O ambiente de pressão exige resiliência e gestão de estresse; embora ninguém admita, o "up or out" é real: quem não é promovido é demitido, e é comum cerca de 10% da equipe ser desligada todo ano, exceto quando o mercado está aquecido. É também um setor extremamente regulado, fiscalizado por governo, banco central, reguladores, competidores, clientes e entidades de autorregulação. Definitivamente, não é para qualquer um.

Resiliência é a super soft skill de um banker.

É bem diferente de trabalhar em empresas, no setor público ou em ONGs, e também diferente do universo de startups e de empreender. As chamadas "butiques" não fazem parte tecnicamente do mercado financeiro, mas competem com ele e compartilham boa parte da sua cultura, geralmente de forma mais leve, a depender dos sócios e do mercado que atendem.

Uma carreira no mercado financeiro pode ser interessante, desafiadora, lucrativa e até trazer propósito e amizade, mas só entrega isso a quem é bom e sabe jogar o jogo. Descubra por que essa carreira faz sentido para você, especificamente, e esteja pronto para explicar isso a um entrevistador.

04

Preço é o que você paga. Valor é o que você leva.

A frase de Warren Buffett que explica por que ninguém, nem você, recebe exatamente o que acha que merece.

Vamos falar de criação de valor: valor econômico-financeiro, ligado à geração futura de caixa. Não é qualquer valor. Seja autocrítico: quanto vale o que você faz? Você pode responder "vale o que me pagam", mas isso é preço, não valor. Como resume Warren Buffett: "preço é quanto você paga, valor é o que você leva."

Se alguém paga US$ 100 por hora do seu trabalho, é porque, para essa pessoa, o serviço vale mais do que isso: não faria sentido pagar mais do que ele vale. Enquanto os agentes forem racionais e perseguirem lucro, essa lógica sempre se sustenta. Ela vale tanto na relação empregador-empregado quanto na relação entre prestador de serviço e cliente. Não fique chateado ao concluir que você nunca será remunerado pelo valor exato que gera: faz parte do jogo, e o cliente também não vai querer pagar exatamente o valor que recebe.

A mesma lógica explica suas economias: a diferença entre o que você ganha e o que gasta. Você só economiza, em vez de gastar, quando está convencido de que usar aquele dinheiro no futuro valerá mais do que usá-lo agora. Como bem colocou Gustavo Cerbasi, todo investimento representa um sacrifício no presente em troca de um benefício maior no futuro.

Voltando à relação entre empregado e empregador, a questão tem várias camadas:

  • Quanto valor foi criado para o cliente?
  • Quem criou esse valor: a empresa (ou banco) ou o profissional?
  • Quanto desse valor a empresa retém, e quanto é convertido em remuneração para quem participou?

A pergunta final, a que realmente importa para a sua carreira, é: quanto desse valor criado você consegue capturar?

05

Da cadeira ao seu próprio nome: as 5 fases de quem cria valor

Por que um analista fecha operações de milhões e ganha um salário comum, até que isso mude.

Um grande banco americano movimenta trilhões de dólares por dia só na mesa de "cash": o equivalente à mesa de DI de um banco brasileiro. Um analista em Nova York, na frente de telas com modelos proprietários e notícias em tempo real, recebe um telefonema, abre preços de compra e venda e fecha operações de milhões de dólares. No fim do dia, ele terá gerado alguns milhões em resultado, mas receberá um salário comum e um bônus nada espetacular. Injusto? Talvez pareça, mas cabe perguntar: quanto desse resultado foi ele, de fato, quem gerou?

O banco recebeu o telefonema, fez os modelos de precificação, montou o sistema de controle e compensação, e proveu o capital. O analista, no começo da carreira, estava sentado na frente do telefone, e pouco mais que isso. É exatamente esse deslocamento entre pessoa e estrutura que o modelo de 5 fases explica:

Fase 1

A cadeira

O valor está na cadeira, não na pessoa. Qualquer profissional que se sentasse ali teria o mesmo resultado.

Fase 2

A transferência começa

O banker passa a transferir valor da cadeira para si: relacionamentos, produto, capacidade de estruturar soluções. O bônus cresce de forma exponencial.

Fase 3

A pessoa pesa mais

Experiência, ideias, conexões e competência fazem a pessoa valer mais do que a cadeira. Espere ótimos bônus, e um banco disposto a pagar para reter você.

Fase 4

A pessoa vira a cadeira

O banker se torna independente do banco. Ser dono do próprio nariz traz possibilidades incríveis, com risco proporcional.

Fase 5

O ciclo se fecha

A pessoa transfere seu valor para a empresa que criou, formando novas "cadeiras" para outros profissionais se sentarem, reiniciando o ciclo na fase 1.

Enquanto a criação de valor depender só da atuação de uma pessoa, ela não pode tirar férias, ficar doente ou sofrer um imprevisto sem impactar o resultado. É quando o banker se alavanca em outras pessoas, sistemas e processos para escalar seu próprio know-how que ele começa a construir a sua própria "cadeira".

06

Não basta querer: você precisa ser bom

Sua vida inteira já está sendo avaliada: nas escolhas, na faculdade, nos estágios, na forma como você escreve.

O segredo de uma carreira de sucesso é simples de enunciar: faça algo em que você seja bom e que a sociedade reconheça valor. O sucesso será proporcional à singularidade do seu talento e ao tamanho do valor que você cria. As carreiras de front office do mercado financeiro são especialmente competitivas (mais candidatos do que vagas), então só um candidato bom é viável para elas.

O candidato mais imaturo costuma dizer: "me dê uma chance para eu provar que sou bom." A vida não funciona assim. Ninguém deveria esperar que alguém simplesmente dê uma oportunidade: você já teve a vida inteira para se provar. Medimos isso nas escolhas que fez, na faculdade em que estuda, nos estágios pelos quais passou, nas atividades extracurriculares, na forma como se apresenta, fala e escreve. Esses sinais não são infalíveis: erramos ao contratar quem não é bom para a vaga (um erro óbvio, mas pequeno) e erramos ao deixar de chamar bons candidatos que não emitiram os sinais certos, um erro menos óbvio e de dimensão que nem imaginamos.

A boa notícia é que a régua de quem tem chance mudou. Vinte e cinco anos atrás não existiam programas de inclusão social em faculdades ou processos seletivos; hoje, ainda longe do ideal, eles existem. Os principais bancos buscam ativamente candidatos de estratos sociais sub-representados no mercado financeiro e de faculdades além das tradicionalmente elitistas.

Iniciativa

A Bankers Academy, com patrocínio do J.P. Morgan, lançou um programa de inclusão no mercado financeiro por meio da educação, voltado a candidatos de estratos sub-representados, em especial negros e mulheres de baixa renda. A primeira edição, concluída em agosto de 2024, impactou mais de 1.000 pessoas e levou 26 universitários ao Boot Camp 101 da Bankers Academy. Mais informações em blackinbanking.com.br.

O que não muda, e não vai mudar, é o nível de exigência para as posições de ponta: ainda se busca o melhor talento do mercado. A diferença é que hoje esse talento pode vir de qualquer lugar, e às vezes é até preferível que venha de lugares menos óbvios. Se você vem das melhores faculdades, a batalha está longe de ganha; ainda tem muito a provar. Se não vem, não deixe seu passado definir o seu futuro: transforme sua trajetória em ponto forte, e corra atrás, é possível.

E a vocação? É só um fator, e sozinho não resolve nada: como no esporte, onde só quem treina duro e se dedica converte talento em conquista. No mercado financeiro é igual: o suor é determinante, não o talento.

07

O que os recrutadores realmente avaliam em você

Onze sinais que separam um bom candidato de alguém apenas bem formado.

Se as melhores oportunidades são disputadas por bons candidatos, o que de fato define um bom candidato? Uma boa formação é pré-requisito, mas está longe de ser suficiente: o que determina viabilidade e competitividade é o comportamento, avaliado em quatro grandes blocos:

Investimento: o que você sabe, e por quê

  • Saber: o conhecimento técnico em si, fácil de medir com provas, testes e casos.
  • Curiosidade intelectual: o porquê de você saber, perceptível nas perguntas que faz e na forma como constrói repertório e contexto.

Fit: o alinhamento entre você e a vaga

  • Naturalidade: quem se esforça demais para parecer interessado não sustenta esse comportamento por muito tempo; prefere-se quem agrada sem esforço.
  • Propósito: ver sentido na carreira e na vaga específica aumenta a chance de sucesso e sustenta o esforço exigido no dia a dia.
  • Valor: saber aproveitar a oportunidade para gerar valor a clientes, equipe e a si mesmo; fazer por fazer é perda de tempo.

Comportamento: o mais difícil de ensinar

  • Fazer: ter iniciativa e também "acabativa": entregar. Quem só organiza e não entrega é dispensável em qualquer equipe.
  • Eficiência vs. detalhes: entregar bem-feito, com atenção aos modelos da indústria, sem deixar de entregar em tempo.
  • Resolver problemas: exige mais do que proatividade: demanda contexto, atenção, flexibilidade e criatividade, sem sair "fazendo feito um cachorro doido".

Comunicação: decisiva à medida que a carreira avança

  • Vender: saber se vender é uma habilidade da vida em sociedade, vital em algumas carreiras do setor e importante em todas as outras.
  • Convencer: boa parte do mercado financeiro se sustenta em relações de confiança; não basta ter a melhor análise se ninguém se convence dela.
  • Trabalho em equipe: raras exceções atuam sozinhas no setor; júnior precisa achar seu espaço no time, sênior precisa montar e coordenar equipes.

Não basta ser bom: você precisa ser percebido como tal. Estude para transformar sua formação em conhecimento com valor real, seja você mesmo no processo seletivo, ajuste seu comportamento de forma consistente entre a vida pessoal e profissional, aprenda a trabalhar em equipe em qualquer posição, e encaixe exemplos concretos na sua narrativa para provar, com contexto, que você é o candidato que diz ser.

08

Os 6 pensamentos que sabotam quem está desesperado por uma vaga

"Entro no banco e depois mudo de área" e outras frases que soam estratégicas, mas não são.

Quando você decidir o que quer fazer, vá atrás sem medo, e sem se distrair com oportunidades que não fazem sentido para você só porque elas aparecem. Seis raciocínios comuns do "recruta desesperado" custam caro:

  • "Trabalharei com Research e depois vou para M&A." Carreiras que compartilham ferramentas, como projeções financeiras, não servem de porta de entrada uma para a outra. Procure a vaga na carreira que você realmente quer.
  • "Entro no banco e depois mudo de área." Na prática, pouquíssimos bancos têm essa cultura de mobilidade interna: no Brasil, o BTG é uma das raras exceções. A maioria evita abrir esse precedente.
  • "Quero migrar de carreira." O que se chama de migração é, de fato, um recomeço: dois anos como analista de crédito não dão a um profissional a expertise de um analista de M&A de terceiro ano: ele nunca fez um modelo financeiro completo, um pitch de Buy Side ou uma due diligence.
  • "Entro em Investment Banking e depois vejo se gosto." A demanda pela vaga é muito maior que a oferta: não faz sentido, para o mercado, contratar alguém em teste quando há centenas de candidatos preparados e convictos.
  • "Sofrerei alguns anos em Investment Banking e depois farei o que gosto." Não funciona assim: só quem é bom aguenta por anos; e, sendo bom, dificilmente vai querer abrir mão da carreira depois.
  • "Quero Investment Banking porque paga muito bem." Você só ganha bem se for realmente bom naquilo que faz. Foque na carreira que faz sentido para você, entregue com excelência, e deixe o dinheiro ser a consequência: ele virá.

Isso aqui é um resumo. O livro completo mergulha fundo nesse assunto, com exercícios práticos, os bastidores reais de 14 anos em investment banking e o raciocínio inteiro que transforma teoria em oferta de emprego.

Leia mais em De Cabeça No Mercado Financeiro

Fim do passo 3

Você chegou aqui com uma direção nomeada e uma razão para ela. É o que este passo pedia: sair da lista de possibilidades e assumir uma hipótese que possa ser testada.

O que sobra agora é a distância entre essa direção e a sua candidatura. É disso que trata o próximo passo, e é aí que a formação entra.

Ganhe o capítulo 1 do livro

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José Roberto Securato Junior

José Roberto Securato Junior

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As dúvidas que mais chegam sobre este passo

01Não sei o que quero. Como começo?+
Faça a lição de casa: entenda quem você é, conheça as alternativas, imagine-se em cada uma e teste na prática.
02Estou em dúvida entre duas alternativas. Como decidir?+
Se forem muito diferentes, aprofunde seu conhecimento sobre elas. Se forem próximas, a experimentação tende a revelar as diferenças com mais clareza.
03Consigo ser bom sem vir das melhores faculdades?+
Sim. A falta de recursos pode exigir mais estudo e iniciativa, mas não impede o desenvolvimento da competência.
04Por que comportamento e fit importam?+
Comportamento é difícil de ensinar; fit reúne objetivos, valores e a confiança de que aquela pessoa funciona bem no time.
05Tenho 26 anos, é muito tarde para mudar de carreira?+
Não importa a idade: 26 anos é muito jovem, ainda a infância de uma carreira. Pode não ser fácil nem óbvio, mas não deixe ninguém dizer que é impossível.
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