O que o livro fala sobre Formação e certificações:
"Quais são as suas lacunas para entrar e brilhar no Mercado Financeiro?": a pergunta que abre o capítulo do livro. Clique nos cards para saber mais.
01
O básico que ninguém revisa antes de te contratar
Português, matemática, comportamento e curiosidade, antes de qualquer curso de mercado financeiro.
Aprende-se muito no emprego, o famoso on the job. Não se preocupe se não souber tudo o que acha que precisa saber, ou se tiver muito a aprender comparado a um colega mais experiente; se você está em um lugar onde não há mais nada para aprender, está no lugar errado. Mas isso não vale para tudo: existe um básico que você precisa ter antes de entrar em qualquer emprego, porque o empregador não terá paciência para ensinar certas coisas no dia a dia.
Antes de qualquer emprego: português, matemática, bom comportamento e curiosidade. Antes de um emprego no mercado financeiro, some a isso raciocínio lógico, contabilidade e análise de demonstrações financeiras.
- Português: fluência na expressão do pensamento, coesão nas ideias e respeito à gramática são essenciais para qualquer carreira de ponta. Corretor ortográfico não substitui estudo: erros como abusar do gerúndio ("estarei fazendo" em vez de "farei") ou dizer "é para mim fazer" (o correto é "é para eu fazer") custam caro.
- Matemática: não precisa ser sofisticada. Quase tudo se resolve com multiplicação e exponencial, mais um pouco de estatística (média, desvio padrão) e interpretação de gráficos, um skill que a maioria erra e que é usado o tempo todo. Matemática mais avançada, como cálculo estocástico em opções ou multiplicação de matrizes em carteiras, raramente aparece no dia a dia, exceto em áreas como Quant Trading.
- Bom comportamento: esteja disponível, chegue na hora (ou antes), responda com celeridade e seja gentil, conselho que o autor recebeu de Pedro Juliano, ex-Head de IB do JP Morgan. Seja empolgado, não o pessimista do escritório: nunca dará tudo errado.
- Curiosidade: seja curioso sobre o que está fazendo, sobre o que não sabe (pesquise, tente sozinho por uns 15 minutos antes de perguntar qualquer coisa) e sobre os feedbacks que recebe, mesmo os maldosos.
02
Faculdade forma. MBA especializa. Não inverta a ordem.
Buscar na pós-graduação a formação que devia ter vindo da faculdade custa caro depois.
Faculdade é formação; MBA é pós-graduação, e existe uma grande diferença entre as duas coisas. A faculdade prepara para o mercado de trabalho em geral: uma faculdade de Administração forma profissionais para finanças, marketing, RH, operações e outras áreas. Ela tem abrangência maior, mas por isso não prepara plenamente para carreiras mais exigentes, como Investment Banking: a maioria foca em conceitos e teorias, deixando a aplicação em segundo plano. Foi para preencher essa lacuna que surgiram escolas como a Saint Paul Escola de Negócios e a Bankers Academy, focadas em experiência e aplicação prática.
Pós-graduação (MBA, mestrado profissionalizante ou acadêmico) é especialização, e por definição vem depois da formação. Um erro comum é buscar formação na pós: um advogado que faz MBA para entrar no mercado financeiro continua sendo advogado, e terá dificuldade em acompanhar um MBA robusto em Finanças por falta de fundamentos.
O melhor momento para uma pós costuma ser uns dois anos depois de formado: a maturidade é diferente, o aproveitamento é maior e o networking vale mais nesse momento da carreira (um MBA nos EUA, inclusive, é uma proposta de valor completamente diferente). Invista na sua formação antes de buscar especializações: quanto antes preencher a lacuna de conhecimento, melhor.
03
Inglês: pré-requisito ou diferencial, depende da carreira
"Me virar na Disney" não é fluência, e fluência não é o mesmo que ser nativo.
Proficiência em outras línguas é valorizada por recrutadores até em ambientes que não exigem isso no dia a dia: indica curiosidade, capacidade de aprender, disciplina, comprometimento e amplia o acesso a oportunidades. Saiba distinguir em quais oportunidades a língua estrangeira é, de fato, pré-requisito, e em quais é apenas um diferencial.
Atenção
Invista em uma segunda língua somente depois de o seu português estar perfeito, escrito e falado. Falar um pouco de inglês não compensará um português ruim.
Tomando o inglês como exemplo, há vários níveis de fluência: (1) me viro bem na Disney: engana bem; (2) sei ler e escrever com corretor de texto e inteligência artificial: básico; (3) entendo tudo e converso bem: fluente; (4) consigo escrever e negociar contratos: nativo. Inglês fluente costuma bastar para carreiras em que o uso é esporádico e previsível, como Investment Banking em banco brasileiro ou butique. Já o nível nativo é necessário quando o dia a dia é em inglês ou o cliente tem inglês como língua materna, como em Investment Banking num banco internacional.
Para melhorar de verdade: introduza inglês na rotina (filmes sem legenda, música, livros, audiobooks), conheça os termos técnicos da indústria e saiba pronunciá-los, busque comunidades on-line para praticar, combine um "golden hour" com colegas de trabalho em que só se fala inglês, e faça um curso de business English. Intercâmbio de 1 a 2 meses pode ser ótimo para estudar para uma certificação como TOEFL ou GMAT, mas raramente traz fluência: na maioria das vezes você convive com outros estrangeiros que falam tão mal quanto você. Fluência de verdade exige convívio com native speakers.
04
Programar não é pré-requisito. Mas muda como você pensa.
A lógica por trás do código vale mais do que a linguagem em si.
Dificilmente linguagem de programação será pré-requisito para uma cadeira de front office no mercado financeiro, mas é um diferencial importante para a maioria das cadeiras. Traders são quem mais se alavanca nisso, criando modelos de gestão e alertas para ações automatizadas de compra, venda ou hedge. É especialmente útil em gestão de dados, cada vez mais relevante em bancos de varejo e na modelagem de crédito, e o Python vem ganhando espaço até em Research, para automatizar coleta de informações e reduzir erros humanos.
Mais importante do que a linguagem em si é a lógica que ela desenvolve: a forma de abordar problemas e de quebrar questões complexas em partes menores é fundamental para o sucesso em qualquer carreira, inclusive um Valuation por fluxo de caixa descontado depende dessas habilidades. Vale a pena investir em programação mesmo quando o benefício imediato não é óbvio ou ela não é pré-requisito para a vaga que você disputa.
Um cuidado: ser diferente não é sinônimo de ter um diferencial. Ser um excelente programador só conta a seu favor se essa habilidade for relevante para a vaga: a lógica de programação, essa sim, costuma ser um bom diferencial em praticamente qualquer oportunidade do mercado financeiro.
05
Ética: o alicerce que sustenta a carreira inteira
Uma postura ética, 95% das vezes, te deixa em desvantagem contra quem joga sujo, e ainda assim é o caminho certo.
Ética é um alicerce essencial para a construção de qualquer carreira, inclusive no mercado financeiro. Seja íntegro e verdadeiro sempre. Pode parecer utópico, e uma postura ética, em 95% das vezes, vai te colocar em desvantagem diante dos 5% que jogam sem ética, mas construa sua jornada aos poucos: não é o caminho mais fácil, porém é o mais gratificante.
Tenha certeza de que todo o seu material de promoção é verdadeiro: do CV e do LinkedIn ao que você posta nas redes sociais. Todo mundo está olhando, inclusive o recrutador. Nas entrevistas, seja transparente: não exagere, não descaracterize informações e jamais tome crédito por algo feito ou dito por outra pessoa: a probabilidade de o entrevistador descobrir a verdade é alta.
Tome decisões com ética, especialmente quando a situação estiver mais difícil. Espere desafios ao longo da carreira; se você deslizou, assuma o erro, coloque um ponto final e recomece, mas nunca recomece com uma mentira.
- Credibilidade e confiança;
- Boa reputação profissional;
- Longevidade na carreira;
- Melhores relações interpessoais;
- Valorização pessoal e profissional.
06
Uma trilha de formação diferente para cada carreira
Os fundamentos são os mesmos para todo mundo. Depois deles, cada carreira exige um conhecimento próprio.
Todas as carreiras do mercado financeiro exigem matemática financeira, contabilidade, análise de demonstrações financeiras, economia e estatística. A partir daí, os caminhos se separam:
- Corporate Banking, Investment Banking e Research pedem conhecimento de finanças corporativas, com destaque para Valuation.
- Treasury, Sales & Trading exigem o domínio do cálculo financeiro das tesourarias, incluindo precificação de derivativos.
- Wealth Management & Investing começa pela Teoria de Carteiras de Markowitz; quem mira Financial Planner soma cálculo atuarial.
- Venture Capital e Private Equity têm trilha própria: Effectuation no lugar da Teoria Geral de Administração, valuation de startups no lugar do valuation tradicional.
Todas as carreiras se beneficiam, em maior ou menor grau, de economia, estatística (inclusive regressão) e programação, mais pela lógica do que pela função. E todas, sem exceção, vão demandar boa capacidade de apresentar conclusões, negociar e ler contratos: quanto mais sênior você for, mais importantes essas matérias se tornam.
Você sabia?
O mercado financeiro é composto de vários mercados: Mercado de Capitais, Mercado Cambial, Mercado Monetário, Mercado de Derivativos e outros mais.
Por onde começar: cursos introdutórios (fundamentos e panorama do mercado, como um "Introdução ao Mercado Financeiro") vêm antes dos cursos de formação (direcionamento específico de carreira), que por sua vez vêm antes dos cursos avançados (aprofundamento, exigem comprometimento). Uma abordagem passiva não basta. Os conceitos precisam ser aplicados. Pratique.
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Certificação não cria competência. Ela só comprova.
Ter uma certificação que não tem nada a ver com a sua carreira é como ter olho azul: só importa se for relevante para a vaga.
Certificação é uma validação emitida por alguma autoridade, geralmente por meio de uma prova padronizada. No final, ela não atesta que você será um bom profissional. Atesta que você se dedicou minimamente a se preparar para aquele teste, e que tem o mínimo de disciplina e comprometimento com a carreira escolhida.
Você não será contratado só porque tem uma determinada certificação, e dificilmente deixarão de contratar alguém só porque não tem. Especialmente no começo da carreira, certificação raramente é determinante. Para se qualificar como diferencial, ela precisa ser relevante para a carreira que você quer seguir. Diferentes carreiras estão associadas a diferentes certificações. Uma certificação difícil pode demonstrar disciplina, mas não substitui as competências específicas que serão avaliadas.
Algumas certificações são obrigatórias por regulação: como o CFP para planejadores financeiros, ou os certificados da ANBIMA para quem atua como bancário e assessor de investimentos. Mas mesmo nesses casos, é o banco quem tem a obrigação de ter profissionais certificados no quadro, e normalmente oferece o treinamento depois da contratação. Raramente a certificação é exigida antes de uma vaga de entrada.
Para saber se uma certificação importa para a carreira que você quer, basta avaliar os profissionais que já fazem o que você quer fazer: se a maioria tiver uma certificação em comum, você tem a sua resposta. Busque, por exemplo, Investment Bankers no LinkedIn: uma minoria insignificante tem CFA, o que prova que essa certificação não é relevante para essa carreira.
Seja um candidato competitivo antes de investir em certificação, não o contrário.
08
As principais certificações do mercado financeiro, uma a uma
De quem vende produtos de investimento no banco a quem analisa ações: cada certificação mira uma carreira diferente.
Uma lista não exaustiva dos principais certificados para o mercado financeiro brasileiro, cada um pensado para uma carreira específica:
- CPA, C-Pro R e C-Pro I (Certificados Profissionais ANBIMA, a partir de 2026): o CPA certifica quem vende produtos de investimento em agências e plataformas de atendimento; o C-Pro R e o C-Pro I exigem o CPA antes e certificam, respectivamente, o relacionamento com clientes e a assessoria na gestão de carteiras: carreiras em consultoria financeira e gestão de patrimônio.
- CPA-10 e CPA-20 (até 2025, descontinuadas em 2026): antecessoras da linha CPA/C-Pro: a CPA-10 para vendas de produtos em agências e cooperativas, a CPA-20 para produtos voltados a investidores qualificados.
- CEA (Certificação de Especialista em Investimentos ANBIMA, até 2025, também substituída em 2026): certifica quem assessora clientes na gestão de carteiras de investimento.
- CFG e CGA (Certificações de Gestores ANBIMA): voltadas a quem atua na gestão de fundos de investimento e na gestão de recursos de terceiros: carreira de gestores de fundos e de patrimônio.
- CFP (Certified Financial Planner, aplicada pela Planejar): certifica profissionais de planejamento financeiro pessoal: carreira de planejadores e consultores financeiros independentes.
- CNPI (Certificado Nacional do Profissional de Investimento, aplicado pela Apimec): certifica analistas de valores mobiliários.
- CFA (Chartered Financial Analyst, aplicado pelo CFA Institute em três níveis): certifica profissionais de análise financeira e gestão de investimentos. Segundo o autor, raramente é um diferencial para quem mira Investment Banking: o conteúdo da prova vai muito além de finanças corporativas, e o formato exige um conhecimento teórico sem paralelo com o dia a dia do banker.
- PQO (Programa de Qualificação Operacional, aplicado pela B3): certifica quem atua em operações na bolsa de valores, como operadores de mesa e profissionais de back office.
Diferente da certificação, o Certificado de Conclusão apenas atesta que você terminou um curso ou treinamento. Ele é importante para construir o CV, principalmente no começo da carreira, e demonstra interesse real, mas não vale a pena entrar numa corrida por certificados que não sustentam a sua narrativa. Mais raro, e mais valioso, é o Certificado de Proficiência, que atesta que você sabe aplicar o que aprendeu: o próprio CFP exige MBA e experiência como planejador, e a certificação de CFOs do IBEF exige cinco anos de experiência no cargo.
Seja seletivo: estude o que quiser, mas leve para o currículo só os certificados que fazem sentido na sua narrativa de carreira.
Isso aqui é um resumo. O livro completo mergulha fundo nesse assunto, com exercícios práticos, os bastidores reais de 14 anos em investment banking e o raciocínio inteiro que transforma teoria em oferta de emprego.
