Bankers Academy

Depois dos 6 passos

Processo seletivo não é sorte. É trabalho.

Trabalho antes, durante e depois. O processo tem etapas previsíveis, e cada uma tem uma lógica que dá para aprender. No começo de carreira, quando os currículos ainda são todos parecidos, quem decide é a sua postura.

O que o livro fala sobre Processo seletivo:

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01

Ninguém quer ouvir sua história (menos o entrevistador)

A crítica que abre o capítulo não é gratuita: ela existe pra você entender por que a entrevista é rara.

O capítulo abre com uma bronca, e não é no recrutador. As mesmas pessoas que reclamam da postura dos entrevistadores e da falta de feedback, escreve Securato, mandam currículo para vagas desconectadas das próprias habilidades e aspirações, demoram uma eternidade para responder quando são procuradas, e muitas sequer aparecem na dinâmica em grupo. Os processos automatizados do LinkedIn agravaram o quadro: ao automatizar as etapas de interação humana, diminuíram o comprometimento dos dois lados da mesa.

A crítica não é gratuita: ela existe para preparar a virada de perspectiva que sustenta o capítulo inteiro. No dia a dia, ninguém quer ouvir a sua história. Ninguém quer entender como você chegou até aqui, nem o que você busca para o futuro. Estamos todos ocupados ou entretidos demais.

Em uma entrevista, o entrevistador está genuinamente interessado no que você tem para dizer. Aproveite.

De cabeça no mercado financeiro, cap. 7, p. 113

É essa raridade que dá o tom. A entrevista não é um obstáculo entre você e a vaga: é o momento improvável em que alguém abriu uma hora da agenda para escutar você. Quem trata isso como formalidade está desperdiçando a parte boa.

Antes da entrevista, porém, é preciso chegar até ela. O livro lista sete caminhos, e eles não valem a mesma coisa.

02

Os 7 caminhos até a vaga (e o que quase ninguém usa)

Faculdade, LinkedIn, indicação... um deles vale mais que todos os outros juntos, e tem um sétimo que quase ninguém tenta.

Faculdade

Empregadores postam vagas nas faculdades. Mas não se restrinja à sua: as melhores vagas estão nas melhores faculdades.

LinkedIn

Ótimo para recrutamento, e já integra currículo e comunicação. Mas não saia aplicando para tudo que aparece: seja criteriosa e comprometida com as vagas que fazem sentido.

Site do empregador

Os grandes bancos desenvolveram processos próprios nos seus sites. Essas ferramentas funcionam de verdade: acredite.

Indicação

Para as vagas mais disputadas, é a melhor forma de entrar: indicação de quem está no time e conhece você pessoalmente. Mantenha o networking ativo e diga com todas as letras quais são os seus objetivos: não conte com a capacidade das pessoas de ler mente.

Comunidades

WhatsApp, redes sociais, qualquer grupo que compartilha interesse também compartilha vaga. Seja ativa nas que interessam.

Sites especializados

Portais dedicados ao mercado financeiro. Sites de colocação executiva genéricos não funcionam tão bem para o setor.

E há um sétimo canal, que quase ninguém usa: perguntar. Pouquíssimas pessoas dizem diretamente o que procuram. Nada garante que você terá resposta, mas, escreve ele, você ficará surpresa com quantas pessoas aleatórias se interessam em ajudar.

Quem faz a lição de casa chega sabendo o que quer. E isso aparece já na primeira resposta.

03

No começo de carreira, comportamento é o seu maior ativo (ou pesadelo)

Currículos vazios e poucas histórias para contar deixam a postura como o único fator que sobra para diferenciar dois candidatos.

A tese do capítulo

No começo de carreira, o seu comportamento pode ser o seu maior ativo, ou o seu maior pesadelo.

A lógica é aritmética. Quando as pessoas são menos experientes, os currículos são mais vazios e há menos histórias para contar, o que sobra para diferenciar dois candidatos com o mesmo papel na mão é o comportamento. Por isso a postura não é um detalhe de etiqueta: no começo, ela é o ativo principal.

O que ela significa, na prática, começa por saber o que você quer. Saber descrever o que atrai você naquela oportunidade e naquele empregador específico. Procura-se gente resolvida, que fez a lição de casa e está tomando uma decisão inteligente, uma decisão que não vai mudar nos próximos dois ou três meses.

Depois, ser você mesmo. Tentar ser uma pessoa diferente é enganação, e conseguir a vaga pelas razões erradas termina em decepção, provavelmente para os dois lados. A autenticidade não é um valor moral aqui; é o que permite que a oferta venha pelas razões certas, as que têm maior probabilidade de dar certo no médio e no longo prazo.

Depois, ouvir e responder à pergunta. Responder prontamente, de forma direta, sem elucubração, inclusive quando você não gosta da sua própria resposta, porque isso faz parte. E se não souber, dizer que não sabe: também faz parte. Respondida a pergunta de forma direta e resumida, você pode elaborar se achar necessário. Normalmente não será.

E a entrevista tem que ser uma via de duas mãos. Pergunte sobre o cargo, sobre a empresa, sobre o setor, sobre as pessoas: tudo que você precisa saber para tomar uma decisão sobre aquela oportunidade. Mas não pergunte por perguntar, e não pergunte para agradar o entrevistador. Faça perguntas legítimas, das que despertam interesse genuíno em você.

Remuneração entra nessa conta, inclusive. É importante, e não há vergonha em falar sobre isso: o cuidado é saber para quem perguntar.

04

A resposta perfeita que é, na verdade, péssima

Um parágrafo decorado cheio de adjetivos de impacto, e por que um bom entrevistador o detecta na hora.

O livro traz um exemplo de resposta ruim à pergunta "fale um pouco sobre você". É um parágrafo em inglês recheado de adjetivos que soam bem: motivado, orientado a resultados, ético de trabalho colaborativo. E o veredito é duro.

A resposta é péssima justamente por parecer boa. É mecânica: parece que o candidato decorou um texto cheio de palavras de impacto. Um bom entrevistador reconhece resposta enlatada na hora: artificial, forçada, construída por um terceiro. E pior: ao fim dela, não se sabe absolutamente nada sobre o candidato, nem por que ele se interessou pela posição.

De quebra, ele observa que a própria pergunta não é boa: é ampla demais, pode ir para qualquer lado. Se ela vier, provavelmente é só quebra-gelo, não é a pergunta que decide nada. Ou seja: o candidato decorou um discurso para impressionar em um momento que não valia nota.

A conclusão do capítulo é a que dá o tom de tudo o que vem depois: não busque uma receita de bolo. Entenda como um processo seletivo funciona e adapte a sua abordagem para construir uma conexão real com o entrevistador e com a empresa onde você quer trabalhar.

05

Dinâmica em grupo: ninguém ganha sozinho

O objetivo não é achar líderes: é ver se você sabe jogar em time. "Líderes natos" costumam afundar o próprio grupo.

São eventos presenciais ou on-line para cerca de trinta candidatos, e o objetivo delas é um só: selecionar quem vai para a conversa individual.

Vale entender de forma pragmática por que elas existem. Há muitos candidatos viáveis para poucas vagas. Selecionar só por currículo pode eliminar indevidamente alguém bom; entrevistar todo mundo individualmente é inviável. A dinâmica resolve os dois problemas de uma vez: testa o comprometimento, apresenta a empresa e a oportunidade de forma coletiva, e separa os interessados e interessantes para a próxima etapa.

Elas intimidam, e há um motivo concreto: são entrevistas coletivas. Você está exposta a todos os entrevistadores e a todos os candidatos ao mesmo tempo. Pode parecer assustador no começo, mas você se acostuma, e com alguma experiência passa a tirar proveito da situação.

A primeira coisa que se pede é uma apresentação infalível. Em toda dinâmica você terá a chance de se apresentar, e é ali que fica a primeira impressão. Treine antes; construa algo interessante, memorável e curto. Não desperdice.

A segunda é não exagerar, e essa contraria o instinto. O seu objetivo naquela sala é ser selecionada para a próxima fase, não sair de lá com uma proposta de emprego. Não force a barra, não tente aparecer demais, não tome riscos desnecessários. O espelho disso é não sumir: os mais tímidos tendem a se diluir no mar de candidatos. Uma dinâmica bem conduzida contorna isso, mas não assuma que a sua será bem conduzida. Garanta que teve exposição suficiente para ser lembrada.

E prepare-se de verdade: estude a empresa, as pessoas, a vaga. Chegue com pelo menos uma pergunta inteligente pronta, e quanto mais específica, melhor.

Sobra o exercício em grupo, e é aqui que o livro contraria o conselho mais repetido do mercado. É comum dividirem os candidatos em grupos para cases. O propósito não é identificar líderes. É avaliar a sua capacidade de trabalhar com outras pessoas: como você discute os problemas, como o grupo decide, qual é a sua habilidade social.

Cansei de ver "líderes natos" afundar a sua equipe inteira.

De cabeça no mercado financeiro, cap. 7, p. 121

A formulação dele é direta: busca-se gente que sabe trabalhar em equipe, não necessariamente gente que sabe liderar times. Você pode liderar ou não: o que importa é fazer o trabalho que foi pedido, nas condições apresentadas. Jogue pelo time e não entre em conflito.

Quem entra numa dinâmica tentando "assumir a liderança" está resolvendo o problema errado, com afinco.

Em dinâmica de grupo, ninguém ganha sozinho. Atropelar o time é a forma mais rápida de sair do processo.

06

O entrevistador está torcendo por você (mas é dia de jogo, não de treino)

Duas ideias que parecem se contradizer: uma trata de ansiedade, a outra de esforço. Convivem bem.

A primeira ideia

O entrevistador está torcendo por você.

Se o processo de entrevistas parece ameaçador, assustador ou intimidante, é porque você fez poucas entrevistas na vida. A sensação melhora muito, e eventualmente passa. Aguente firme.

Uma entrevista não precisa ser estressante. Curta o processo, aproveite a atenção que você está recebendo, tente aprender alguma coisa no caminho. Você não terá tantas oportunidades na vida de contar a sua história para alguém genuinamente interessado.

A segunda, que parece contradizer a primeira

Dia de entrevista é dia de jogo, não é dia de treino.

Aproveitar a jornada não significa brincar em serviço. E vale mesmo quando aquela vaga não é a que mais faz os seus olhos brilharem: ir mal em uma entrevista pode fechar uma porta, e ninguém precisa disso.

As duas ideias convivem porque tratam de coisas diferentes: uma é sobre ansiedade, a outra é sobre esforço. Você pode estar tranquila e levar a sério ao mesmo tempo.

Daí o básico. Dê o seu melhor: se vai entrar no jogo, entre para ganhar. Não dá para ganhar todas, é verdade, mas tenha a paz de espírito de quem se esforçou genuinamente. As aparências não enganam: vista sua melhor roupa, limpa e bem passada, arrume o cabelo. A entrevista é um processo de venda, e em todo processo de venda a embalagem tem um papel. E ambiente-se: chegue cedo, leve sua água, tenha caderno e caneta. O processo já é estressante por natureza; não acrescente elementos que tirem você do seu melhor estado de espírito.

07

Take 1 vs Take 2: a diferença de um discurso de fechamento

Você acabou de jogar fora o equivalente ao intervalo da final da Libertadores.

O momento mais importante da entrevista é o último, e é o que quase todo mundo joga fora. O livro conta a cena duas vezes.

Take 1

Você terminou aquela incrível entrevista. Invariavelmente, o entrevistador pergunta se você tem alguma consideração final. Você responde que não, que todo mundo já explicou tudo o que você gostaria de saber. Ele acompanha você até o elevador, porque quer ter certeza de que você foi embora. No corredor, vocês falam sobre o BBB, ou futebol, ou qualquer trending topic do momento. Cumprimentos, você entra no elevador, a porta se fecha, fim.

Você acabou de jogar fora o equivalente ao intervalo da final da Libertadores.

Take 2

Mesma cena, outro roteiro. Perguntado sobre a consideração final, você não diz "não". Você diz que já tem todas as informações de que precisa para tomar uma decisão e que, sem dúvidas, quer fazer parte daquele time, e ser o melhor analista que já passou por ali. Aí começa a parte que ninguém usa: o corredor.

No corredor

Razão 1

Você reafirma a primeira das três razões para ele contratar você. Ainda há caminho pela frente: dá tempo.

Enquanto o elevador chega

Razão 2

Calibre o tempo. Cada trecho do trajeto comporta exatamente uma razão, e nem uma a mais.

Com metade do corpo dentro

Razão 3

Você termina o raciocínio já entrando, cumprimenta, sorriso enorme no rosto. A porta se fecha, e você ainda está sorrindo.

É assim que se termina uma entrevista: com o entrevistador tendo claro e fresco na cabeça por que ele deve contratar você.

08

O fechamento não é improviso: é o seu Equity Story resumido

O mesmo discurso serve pra pedir entrevista, agradecer, pedir carta de recomendação e negociar aumento.

As três razões são o Equity Story que você construiu no Passo 5, idealmente já apresentado ao longo da conversa. O discurso de fechamento só resume e conecta os argumentos de venda que já apareceram na entrevista. Não existe fechamento melhor do que o seu próprio Equity Story.

E o mesmo conteúdo, uma vez construído, serve para mais quatro situações:

  • Solicitar uma entrevista
  • Agradecer pela oportunidade
  • Pedir uma carta de recomendação
  • Justificar um aumento ou bônus

E se o Equity Story não estiver sólido? A resposta é seca: repense, treine, retreine. Se ainda assim você não estiver convencida, ou não estiver convencendo, o problema não está no discurso. Coloque a mão na massa e trabalhe os pontos fracos; siga preenchendo as lacunas de conhecimento para a vaga que você almeja. Só um bom Equity Story viabiliza a candidatura.

É por isso que a frase que abre esta página é a que fecha o capítulo: processo seletivo não é sorte, é trabalho. Antes, durante e depois.

Feedback detalhado quase nunca vem. A revisão honesta do que aconteceu é sua.

Isso aqui é um resumo. O livro completo mergulha fundo nesse assunto, com exercícios práticos, os bastidores reais de 14 anos em investment banking e o raciocínio inteiro que transforma teoria em oferta de emprego.

Leia mais em De Cabeça No Mercado Financeiro

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José Roberto Securato Junior

José Roberto Securato Junior

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Securato responde

As perguntas abaixo são as que encerram o capítulo 7, com as respostas do autor. Algumas contrariam o conselho comum de carreira, e é de propósito.

Começando 3 perguntas
Estou perdido, por onde começar?

Comece fazendo a lição de casa: pesquise sobre as carreiras, sobre os empregadores, sobre os empregados. Pergunte: você vai se surpreender com a boa vontade das pessoas, especialmente quando elas falam de si mesmas. E avalie: tente se imaginar naquela posição.

O que o mercado financeiro busca em um candidato?

Muitas coisas, mas talvez a principal seja um candidato que sabe o que quer, e por quê.

O que é mais importante, o técnico ou o comportamental?

Os dois. Talvez varie um pouco entre os diferentes cargos e a senioridade da posição.

Além disso, espere equipe mais júnior focada no lado técnico, e os seniores e o RH mais focados no comportamental.

Na entrevista 5 perguntas
Qual postura devo ter em uma entrevista?

Seja verdadeiro.

Enviar um Relatório de Análise (Sample) ajuda em um processo seletivo?

Mande se quiser, mas ninguém vai ler.

A entrevista será em inglês. O que eu faço?

Não é agora que você vai aprender inglês, mas dá para desenferrujar e chegar mais confiante na entrevista.

Contrate um professor particular (ou “alugue” um amigo) para conversar com você em inglês por uma ou duas horas no dia.

Como se destacar em perguntas pessoais?

Ninguém deveria se destacar com perguntas pessoais, e muitos lugares já as proibiram.

O autor as considera importantes para gerar conexão, conhecer o candidato e adaptar a entrevista. Para um estágio, por exemplo, muda bastante se o pai do candidato é do mercado financeiro ou funcionário público: o segundo provavelmente precisará de mais informação.

Recebi um feedback genérico do processo seletivo. Devo pedir mais detalhes?

Não perca tempo com isso.

Dificilmente alguém se importará em dar um feedback detalhado e construtivo, porque é desconfortável criticar abertamente o candidato.

Investment Banking 7 perguntas
Investment Banking é uma carreira de curto prazo?

Algumas carreiras no mercado financeiro, como IB, são up or out: se você não for promovido, será dispensado.

Para chegar ao topo levará uns 12 a 15 anos. Se você não virar head da área ou de algum setor, precisará encontrar seu espaço em outra instituição. Uma razão pela outra, o mercado tem pouquíssimos bankers com mais de 60 anos.

É mais fácil entrar em IB em um banco ou em uma butique? E um Big4?

Primeiro você entra em IB onde a oportunidade se apresentar. Acumule experiência, desenvolva suas habilidades, firme-se na indústria e depois migre para um lugar melhor, se quiser.

Como descobrir se eu tenho perfil de butique ou de banco?

Entre em um banco ou em uma butique e descubra se é para você. Se entrar nos dois (pouco provável) escolha pelo time e pelo líder.

É mais difícil entrar em Investment Banking ou em Private Equity?

Ambos são bastante competitivos. Em termos relativos, varia com o mercado, em particular com a demanda dos private equities. No geral, Private Equity é mais fechado, portanto mais difícil.

Como entrar em IB já formado, se cobram experiência de 1 a 2 anos para analista júnior?

Os bancos não cobram experiência para cargos júnior.

Mas não espere entrar com cargo e salário de analista de segundo ano só porque se formou há dois anos. Sem experiência, você terá que dar um passo para trás.

Estágio em Research ajuda para uma vaga em Investment Banking?

Sabe aquela situação: mal não faz, mas não resolve nada. Um estágio em Research será incrível e ensinará muita coisa, mas se você quer IB, busque fazer um estágio em IB.

O que você acha das ligas de finanças das faculdades?

As ligas fazem bem o papel de introduzir o mercado financeiro e desenvolver a curiosidade dos seus membros.

Mas se você está na liga só pelo cargo, para ter algo no LinkedIn, saiba que não engana ninguém.

Faça sua pergunta →

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O livro não termina nesta página.