Bankers Academy

Passo 6 · Apresentação profissional

CV e LinkedIn

O currículo tem um único objetivo: abrir portas. Ele não garante a vaga: no máximo, oferece um caminho. LinkedIn, Bio e Sample completam essa apresentação, cada um com um papel diferente, mas contando sempre a mesma história.

O que o livro fala sobre CV e LinkedIn:

Clique nos cards para saber mais

01

Achar talento (e vaga) está cada vez mais difícil para os dois lados

Mais recursos para recrutar não significaram mais eficiência. Está mais difícil, e não vai melhorar.

Recrutadores buscam talentos em três recursos principais: on-line (LinkedIn, Glassdoor e ferramentas parecidas), através das faculdades (anúncios no Brasil, eventos "on campus" nos EUA) e indicação: a recomendação direta de um colega ou conhecido do entrevistador.

Com a internet, esses recursos evoluíram, mas o mercado ficou mais competitivo e o tempo de exposição para causar boa impressão diminuiu. É muito fácil publicar uma vaga no LinkedIn, e fácil demais aplicar para ela. O resultado é que qualquer um aplica para qualquer vaga, e encontrar candidatos viáveis virou um pesadelo para quem contrata. A empresa e os "bons" candidatos pagam o preço dessa ineficiência.

Uma consequência direta: surgiram robôs que vasculham o LinkedIn atrás de perfis com o fit certo para a vaga. Isso deixa claro dois pontos: é essencial ter um perfil atualizado nas redes sociais, e encontrar talentos (e vagas) vai continuar ficando mais complexo.

Sem dúvida, indicação é o melhor método, para quem contrata e para quem procura emprego. E ele se potencializa com experiência e networking, dois investimentos para começar hoje.

02

O CV tem um único objetivo: abrir portas

Ele não é a sua melhor representação como profissional. É o instrumento que conecta você a uma oportunidade, nada mais.

Se você foi chamado para a entrevista, o CV já cumpriu seu papel. Alguns entrevistadores o usam como roteiro para o candidato se apresentar, o que tem duas vantagens: é uma chance de o entrevistador revisar o CV, e a entrevista começa por uma parte em que o candidato está confortável, o que constrói confiança.

Colocando de forma simples: o CV deve ter no máximo uma página e tem que ser perfeito. Algumas regras para construí-lo:

  • Use PDF e renomeie o arquivo. Nome.Sobrenome.pdf: nada de "Curriculum.pdf" perdido em alguma pasta.
  • Diga sempre a verdade. Não minta nem represente falsamente nenhum aspecto da sua vida. Mentira não tem tamanho pequeno: é questão de ética.
  • Seja impecável. Zero erros de gramática, estilo e layout. Siga o padrão da indústria: muitos recrutadores usam softwares automatizados para filtrar CVs, e um formato muito inovador atrapalha nesses processos.
  • Seja conciso. Uma página, ninguém precisa de mais do que isso. Construa a narrativa com fatos e dados, não com adjetivos e superlativos.
  • Foque no mais importante. Regra prática: se é importante, tem que estar no CV; se está no CV, é importante. Isso não é desculpa para deixar lacunas: omitir uma parte da vida só tem desvantagem, porque o entrevistador atento vai perguntar mesmo assim.
  • Seja consistente. Consistência é a base da confiança. Ela costuma faltar quando a história está mal contada, ou quando quem a conta não está atento.
  • Foque na audiência. A entrevista com um Banker sênior e com um júnior são bem diferentes; pense nos dois ao montar o CV (você manda apenas um por oportunidade) e ajuste a narrativa para o interlocutor.

O CV não garante a vaga. Ele, no máximo, abre uma porta e oferece um caminho.

03

Currículo júnior e currículo sênior contam histórias diferentes

Quanto mais sênior você fica, mais o seu CV muda: de tarefas executadas para valor gerado.

Como o objetivo do CV é conectar um profissional a uma oportunidade, duas conclusões são óbvias: oportunidades diferentes pedem CVs diferentes, e o seu CV vai mudar bastante à medida que você se candidata a posições mais seniores.

O livro compara duas versões do próprio CV do autor: a de Securato Jr. Junior Banker e a de Securato Jr. Senior Banker. Enquanto o Junior destaca tarefas, análises e especializações, o Senior destaca relacionamentos, transações, receita e geração de valor, porque as razões para contratar um júnior são diferentes das razões para contratar um sênior, e o CV precisa refletir isso.

Ouvido em uma palestra do IBEF

"Quando você ficar muito sênior, o seu CV passa a ser uma lista de coisas que você NÃO QUER FAZER." À medida que você fica mais experiente, suas responsabilidades mudam, e o CV precisa acompanhar essa mudança.

04

LinkedIn substituiu o CV. A Bio vai além dos dois.

Um perfil único e atualizado. Uma Bio para cada papel que você exerce. Nunca o contrário.

O LinkedIn substituiu o CV por três razões: é facilmente acessível, está sempre atualizado e é padronizado: fácil de comparar entre candidatos. Há ainda uma vantagem extra para quem contrata: confidencialidade do processo e gerenciamento de expectativas, já que pedir um CV atualizado para um candidato costuma gerar alarde e falsas expectativas.

Mantenha o perfil atualizado e completo, pois ele será sua principal vitrine, analisada com frequência por colegas, recrutadores e clientes. Tenha o perfil em português e inglês, inclua cursos, especializações e certificados, e use a seção de projetos para promover as atividades ligadas à carreira que você quer seguir. Ao mesmo tempo, mantenha o foco: em qualquer processo de venda, menos é mais, então exclua referências que atrapalham ou que não são consistentes com o seu Equity Story. Vale lembrar que o perfil inclui tudo o que você faz naquela rede: posts, comentários e "likes" também estão em avaliação. Publicar artigos é uma boa estratégia porque eles ficam associados ao perfil, sem se perder na linha do tempo.

A Bio é uma apresentação profissional curta (normalmente meia página de Word ou menos), usada como anexo de uma apresentação, compartilhada por e-mail, ou para apresentar um palestrante. Ao longo da carreira ela ganha importância e pode virar seu principal instrumento de apresentação. Vale ter uma Bio para cada atividade relevante: o autor, por exemplo, mantém uma Bio (e um CV) para cada papel que exerce, seja como Investment Banker, professor, investidor, membro de conselho, empreendedor e executivo C-level.

Só existe um LinkedIn para o público em geral, mas o CV e a Bio podem, e devem, ser adaptados a cada oportunidade: sempre consistentes e verdadeiros, mudando apenas o destaque e a ênfase.

05

Nas redes sociais, separe o pessoal do profissional

A maior parte dos problemas não vem de fraude. Vem da própria pessoa se autossabotando.

Não tem como escapar das mídias sociais: melhor mergulhar de cabeça, mas com estratégia. Mesmo quem prefere ficar de fora deveria criar um perfil e deixá-lo dormente: ficar totalmente ausente das redes dá a chance de alguém abrir uma conta em seu nome e sua foto, sem que você perceba.

A recomendação é separar a vida pessoal da profissional: LinkedIn para o mercado de trabalho, onde você deve se comportar como no trabalho, com postura, fotos, texto e comentários polidos, e os outros aplicativos para os relacionamentos pessoais, de preferência com perfil fechado no Instagram e afins.

Jamais entre em conflito publicamente. "Haters will hate": não alimente a discussão, apenas agradeça, e bloqueie se a pessoa insistir, pois brigas públicas só aumentam sua exposição negativa. Sobre temas como sexualidade, time de futebol, religião e política: eles podem ser importantes para você, mas por que seriam importantes no mercado de trabalho? Se quiser postar, prefira o canal privado; se for postar em público, não radicalize.

Teste do livro

O autor mostra uma foto de perfil sugestiva usada no LinkedIn e pergunta o que o leitor acha dela. A resposta certa reúne todas as alternativas: a foto não é profissional, não dá o direito de ninguém fazer comentários sexistas sobre ela, e estaria mais adequada em um perfil pessoal.

06

Sua pegada digital nunca desaparece

Regra prática: se vier a ficar com vergonha de sua mãe ou avó ver, não publique, ou retire do ar.

A "pegada digital" é o rastro que você deixa na internet: postagens em redes sociais, compras em lojas virtuais, cada clique, comentário ou arquivamento, cada foto ou post que você publica ou compartilha, seu histórico de busca e cada bate-boca que você já teve em alguma mídia social ou fórum público. Tudo isso é rastreado e armazenado: uma vez na internet, é praticamente impossível de apagar.

Essa pegada está no Google e outros buscadores, em todas as mídias sociais, nos videogames on-line e até em grupos de WhatsApp, onde qualquer pessoa pode fazer uma captura de tela. Empregadores mais estruturados e recrutadores contratados vão pesquisar sobre você, incluindo sua pegada digital, e em carreiras muito disputadas, a decisão pode se dar por detalhes.

No começo do processo seletivo, espera-se que a pegada digital ajude o candidato: mostrar alguém engajado com as causas certas, que se comunica bem, é interessante, conectado e relevante. Tudo entra na avaliação, inclusive quem anda com você: "urubu não voa com pomba". Já no final do processo, você só tem a perder: se está sendo "auditado", é porque existe a intenção de contratá-lo.

07

Apresentar seu próprio CV é a parte mais fácil do processo

Ninguém conhece seu CV melhor do que você, e o ouvinte já está interessado e comprometido.

Trabalho mesmo é montar, revisar, validar e recomeçar o ciclo do CV. Apresentá-lo, depois de pronto, é a parte fácil: você falará sobre um assunto que conhece muito bem para uma pessoa que genuinamente quer ouvir o que você tem a oferecer.

Comece pelo mais importante, provavelmente o que você está fazendo hoje (emprego, estágio ou faculdade) ou o que acabou de fazer. E não se perca nos detalhes: é um erro comum, mas fácil de evitar. Foque no interlocutor e em agregar valor, mantenha a discussão em um nível alto e esteja preparado para entrar em detalhes conforme for solicitado.

08

Sample, Case e Challenge não são a mesma coisa

E nenhum dos três garante a vaga, nem deve entrar no seu CV de uma página.

Sample é uma amostra do seu trabalho: a análise de uma empresa, um estudo setorial, um valuation. Case, ou estudo de caso, é a análise de um problema ou situação proposta pelo entrevistador, que assim controla melhor premissas, prazo e ambiente. Os melhores Cases são em ambiente fechado, feitos in loco ao longo de duas a quatro horas; quando o Case é livre e feito em casa, sempre existe o risco de o candidato buscar ajuda externa. Challenges, ou desafios, são processos competitivos estruturados em torno de uma tarefa, avaliados por uma banca de especialistas.

Um Sample não tem as mesmas condições de contorno de um Case: o candidato teve tempo e tranquilidade para produzi-lo, possivelmente com ajuda de terceiros, e ele não mede o comprometimento do candidato com aquele processo seletivo específico. A única informação nova que um Sample oferece é que o candidato parece genuinamente interessado naquele assunto; por isso é preciso humildade: um candidato a uma vaga de M&A que envia um Sample de stock picking, por exemplo, demonstra interesse pela profissão errada. Exagerar na promoção do próprio trabalho também é arriscado: soa arrogante.

Challenges são ótimas oportunidades para praticar e testar habilidades, principalmente quando a banca avaliadora é capacitada e o feedback é construtivo. Vale cuidado com desafios organizados por estudantes sem experiência para julgar o mérito dos trabalhos: candidatos fracos, mas com excesso de confiança, podem impressionar quem é mais júnior, sem impressionar ninguém experiente.

  • Não inclua o Sample no CV: ele deve continuar com uma página só.
  • Mencione a disponibilidade na carta de apresentação.
  • Leve-o impresso na entrevista, colorido, encadernado, e ofereça no momento oportuno da conversa.

O Sample deve ser aderente à área da vaga: em M&A, a análise de uma transação recente; em ECM, a tese de investimento de um setor; em Asset, um stock picking ou tese de uma ação; em Sales, um e-mail de recomendação a um cliente fictício baseado em relatórios de pesquisa do banco. Um Sample genérico, que funciona para quase qualquer carreira de entrada, é um prognóstico macroeconômico indicando quais setores da economia devem performar melhor nesse cenário.

Isso aqui é um resumo. O livro completo mergulha fundo nesse assunto, com exercícios práticos, os bastidores reais de 14 anos em investment banking e o raciocínio inteiro que transforma teoria em oferta de emprego.

Leia mais em De Cabeça No Mercado Financeiro

Ganhe o capítulo 1 do livro

+ uma aula de carreira no mercado financeiro, gratuitamente

José Roberto Securato Junior

José Roberto Securato Junior

Saiba mais sobre o autor →

Securato responde

As dúvidas que mais chegam sobre este passo

01Posso buscar oportunidades em outras faculdades?+
Sim. A preferência do empregador reduz a probabilidade, mas iniciativa e busca por canais menos tradicionais podem abrir oportunidades.
02Devo levar o CV impresso à entrevista?+
Sim. Ele pode facilitar a conversa e vale usar uma impressão de boa qualidade.
03Vale a pena ter mais de um LinkedIn?+
Não. Perfis duplicados causam confusão; mantenha uma presença única, atualizada e coerente.
04Devo anexar um sample ao CV?+
Não como regra. Mencione que a amostra está disponível e use-a na entrevista, no momento certo.
Faça sua pergunta →

Continue explorando

O livro não termina nesta página.