Passo 1 · Autoconhecimento
Antes de perguntar o que você quer ser, responda quem você é. A ordem parece detalhe e não é.
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A resposta está mais perto do que parece, e vem antes de qualquer decisão de carreira.
A forma mais fácil de ter uma carreira de sucesso é fazer algo de que você gosta, em que é bom, e que tem valor para os outros. Em outras palavras: perseguir a carreira que tiver melhor alinhamento, ou fit, com quem você é. O começo dessa jornada é se conhecer.
Tudo bem se esse alinhamento não acontecer espontaneamente ou não for óbvio hoje. Nada está escrito em pedra. Ao longo da carreira você terá tempo de sobra para desenvolver habilidades novas, inclusive as que parecem impossíveis agora. Qualquer carreira está ao seu alcance, embora sua aptidão te impulsione mais longe naquelas com maior alinhamento com quem você é.
Algumas dicas para este exercício de autoconhecimento:
Antes de seguir, responda para você
A atividade que você aprende rápido e executa com menos atrito.
Aquilo que continua interessante mesmo quando exige esforço.
O ponto em que aptidão, interesse e valor para os outros se encontram.
O problema não é o tamanho do sonho. É que ele não vem com um caminho.
Entre sonhar grande e sonhar pequeno, sonhe grande. Dá o mesmo trabalho. O problema de um sonho é que ele não vem com um caminho. Prefira metas e objetivos, e construa o seu caminho.
Um jeito simples de descobrir se seu perfil é técnico, comercial ou empreendedor.
Trazendo essa questão para mais perto da carreira: qual você acha mais parecido com você?
Vai mais a fundo nas questões, prefere se envolver com assuntos que domina. Mais solitário, talvez nerd. Quando criança, gostava de resolver problemas.
Tem mais interesse no aspecto macro, facilidade para se envolver em qualquer assunto. Mais social: conversa até com um poste na rua. Quando criança, era amigo de todo mundo.
Quer fazer acontecer, tem facilidade para juntar pontas e alinhar interesses. Está sempre tentando fazer negócios. Quando criança, montou vários negócios: vendeu cards, suco, desenho…
O perfil técnico é mais profundo: gosta de entender como as coisas funcionam e procura se especializar, normalmente em funções individuais, mesmo dentro de um time. O perfil comercial é mais abrangente: usa sem se preocupar tanto em como as coisas funcionam, e está associado a funções sociais, mesmo que individualmente.
O empreendedor será, por sua vez, também técnico ou comercial, mas está sempre buscando desenvolver um negócio próprio, o que já é assunto para outro livro (este é focado em quem quer ser funcionário).
Todo time, em qualquer área, precisa dos dois perfis: técnico e comercial. E todo profissional precisa desenvolver os dois lados, ainda que com intensidades diferentes ao longo da carreira.
A pergunta certa nunca foi "que carreira você quer". Foi outra, bem mais simples.
Existe um jeito de testar seu fit sem falar em carreira nenhuma: pense em esportes. Ninguém finge gostar de um esporte que odeia, e essa sinceridade é exatamente o que costuma faltar quando avaliamos carreira.
Responda rápido, sem pensar demais: se você tivesse que competir em um esporte amanhã, qual escolheria?
Repare que você acabou de tomar uma decisão de carreira, só que sem a pressão de usar essa palavra. A lógica é a mesma: o esporte que exige menos luta contra a sua própria natureza é aquele em que você joga melhor. Com dedicação, o mesmo raciocínio vale para qualquer área.
"É sexy" e "paga bem" não sobrevivem ao primeiro teste de realidade.
Antes de decidir por finanças, vale eliminar os motivos que parecem bons, mas não resistem a uma pergunta simples: e daí?
Se nenhuma dessas frases sobrevive à pergunta "e daí, por quê", é hora de procurar razões mais específicas, como as do próximo card.
As razões óbvias qualquer carreira boa também tem. As que importam são outras.
O mercado financeiro é gigantesco em qualquer medida que você considerar: giro de dinheiro, número de pessoas, variedade de carreiras, instituições. Engloba as instituições financeiras, reguladores, e os mercados monetário, de capitais, de derivativos, de câmbio, de commodities e de crédito, entre outros.
Carrega uma aura de evolução constante. Mudou pouco na essência desde os tempos de J.P. Morgan, mas se reinventou pela regulação e pela tecnologia. Associamos a ele muito trabalho e boa remuneração, uma ótima oportunidade de crescimento profissional. Mas a grama sempre parece mais verde para quem a vê de fora: é uma questão de ponto de vista e de expectativas.
Razões comuns (e verdadeiras), mas não exclusivas de uma carreira em finanças:
Um bom jogador de futebol terá quase tudo isso. A pergunta certa é mais precisa: o que o mercado financeiro, e de preferência nenhum outro lugar, tem a oferecer, que faz brilhar os seus olhos?
Não há garantias. O mercado financeiro é enorme, e nem todas as carreiras dentro dele são dinâmicas ou oferecem essas oportunidades. Mesmo nas mais competitivas, o acesso pode variar por questões de mercado ou pessoais.
Isso aqui é um resumo. O livro completo mergulha fundo nesse assunto, com exercícios práticos, os bastidores reais de 14 anos em investment banking e o raciocínio inteiro que transforma teoria em oferta de emprego.

José Roberto Securato Junior
Saiba mais sobre o autor →As dúvidas que mais chegam sobre este passo
Como saber se o mercado financeiro é para mim?
O primeiro indicador é o seu nível de interesse no assunto. Quanto você gosta de estudar matérias de finanças, ler jornais e livros, ouvir podcasts sobre o tema, e tentar se imaginar trabalhando de 8 a 10 horas por dia com isso.
Se terminar esse exercício com um sorriso no rosto, boas chances de que finanças seja para você. Se seguir indeciso, tenha calma: estude mais um pouco, ganhe um pouco mais de maturidade no assunto.
Trabalhar no mercado financeiro é melhor do que outras opções?
Não é questão de ser melhor ou pior.
A sua individualidade é o fator crítico aqui. Ou seja: o que é melhor para você. Uma carreira no mercado financeiro pode ser muito gratificante, mas tem seus desafios. Certifique-se de que esses benefícios e desafios fazem sentido para você.
Como o meu perfil influencia a minha escolha de carreira?
Não deveria influenciar a sua escolha.
Deveria ajudar a entender como será a sua jornada, e onde você deve investir para ser competitivo na carreira que você escolheu.
Não me vejo como comercial nem como analítico. Me sinto no meio do caminho.
É menos comum, mas acontece: não há dominância de um lado ou de outro. Veja esse equilíbrio como uma vantagem, mas fique atento em como se desenvolver.
Como convencer alguém de que o mercado financeiro faz sentido para mim?
Mostre que você sabe do que está falando. Mostre que você conhece o mercado financeiro. Justifique-se com razões concretas, associadas ao mercado financeiro, e que façam sentido para você.
Razões genéricas, que conectam qualquer pessoa com qualquer carreira, não funcionam.
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