O que o livro fala sobre Cargos e carreiras:
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01
A escada de 9 cargos, do Menor Aprendiz ao Diretor Estatutário
Cada degrau tem uma faixa de experiência, um tipo de contrato e uma régua de cobrança diferente.
O autor avisa logo de cara: escreveu este capítulo com viés de bancos internacionais, fazendo o paralelo possível com bancos e fintechs brasileiras (mais difíceis de documentar, por serem menos padronizadas). Ainda assim, a escada de cargos ajuda a entender a dinâmica do mercado como um todo.
- 01
Menor Aprendiz
No ensino médio
Cargo regido por legislação brasileira específica para aprendizes menores de idade.
- 02
Estágio
Últimos anos de faculdade
Contrato entre a faculdade e o empregador, sem vínculo trabalhista, associado ao curso do aluno e limitado a dois anos na mesma empresa. Nos EUA e na Europa, sem legislação equivalente, funciona como estágio de verão de 6 a 12 semanas.
- 03
Trainee
Fim da faculdade ou recém-formado
Nasceu como programa imersivo de até 12 meses para depois definir a área de alocação. O conceito original se perdeu: em muitos bancos, hoje, é só um "analista zero".
- 04
Analyst · Analista
1 a 3 anos de formado
Cargo de entrada em uma área do mercado financeiro. Na definição do autor: o analista deve analisar, não só coletar e processar informação.
- 05
Associate · Associado
4 a 6 anos de formado
Nos EUA, historicamente exigia um MBA recém-concluído; no Brasil, é mais comum a promoção direta do analista, sem passar pela escola. Contrato sem prazo definido.
- 06
Vice President · Gerente
Ao menos 3 anos na função
O próprio autor acha a nomenclatura confusa: o VP vem antes do Diretor. Um VP sênior já responde por clientes, com time próprio.
- 07
Director · Superintendente
Officer com meta de receita
Tem metas de produto, receita e custo; o resultado é medido pelo lucro ajustado a risco que ele entrega ao banco.
- 08
Managing Director · Diretor Executivo
Head de um produto ou setor
Responde pela estratégia e pela execução do seu mandato inteiro. Em muitos bancos internacionais, o MD acaba virando sócio.
- 09
Diretor Estatutário
Nomeado em estatuto
Responde com o próprio patrimônio pela gestão. Toda sociedade anônima precisa ter um; normalmente é o cargo ocupado pelo CFO.
Entenda: officer não é o mesmo que time de execução
A partir de VP sênior, o cargo vira "officer": remuneração alinhada a meta de resultado. Do analista ao VP, o time de execução tem remuneração mais padronizada, "de acordo com a maré", como resume o livro.
Analista e Associate costumam viver sob a lógica do up or out: quem não performa o bastante para justificar a promoção dificilmente continua na folha. Por isso é raro achar um analista com cinco anos de casa em banco internacional.
02
8 carreiras, 8 lógicas de negócio diferentes
Da tesouraria ao private equity, cada área tem seu próprio produto, cliente e forma de medir sucesso.
O livro organiza "carreira" como uma grande família de atuação dentro do mercado financeiro, cada uma com sua lógica de negócio, seus produtos e o perfil que ela exige:
Corporate Banking
Cuida do dia a dia financeiro das empresas, com foco em gestão de caixa. Bancos globais chegam a movimentar trilhões de dólares por dia.
Investment Banking
Assessora fusões e aquisições e atua como underwriter em emissões de ações e dívida. O autor brinca: M&A também poderia significar Miséria e Agonia.
Sales & Trading
Vive de corretagem: atende clientes institucionais e executa as transações deles. Quem não agrega valor, perde cliente.
Treasury, Risco & Crédito
Faz a gestão diária de caixa do banco e mede o retorno ajustado a risco de cada posição assumida.
Wealth Management & Investments
Gestão de fundos, private banking e assessoria de investimentos: cada um atende um elo diferente da cadeia do dinheiro do investidor.
Financial Planning
Cuida das finanças pessoais e familiares ao longo da vida inteira do cliente, não só da rentabilidade da carteira dele.
Startups & Private Equity
De um lado, quem resolve um problema; do outro, quem financia essa solução. Empreender e investir são jogos diferentes.
Agriculture & Climate
Área com demanda crescente de talento, ligada à cadeia produtiva de alimentos e ao mercado de crédito de carbono.
Uma observação sobre a última: o autor acredita que o Brasil pode ser protagonista em crédito de carbono, dado o know-how prático do país no campo, ainda pouco estruturado como formação acadêmica.
03
Investment Banking por dentro: originação, execução e "Miséria & Agonia"
A carreira mais disputada do mercado, contada por quem passou 14 anos dentro dela.
Investment Banking atende demandas transacionais das empresas, diferente do Corporate Banking, que atende as demandas do dia a dia. É assessoria de fusões e aquisições, ou atuação como underwriter em emissões no mercado de capitais: IPOs, follow-ons e, em alguns bancos, também dívida.
O trabalho se divide em originação (quando o cliente contrata o banco ou a butique para desenvolver uma ideia) e execução (a parte analítica, negocial e contratual da transação). No início da carreira, o trabalho é predominantemente analítico: Excel e apresentações. Com o tempo, cresce a importância do relacionamento com o cliente e da parte contratual. Os bancos se organizam por setor de cobertura e por produto: M&A, ECM, DCM.
Bastidor · post do autor no LinkedIn, 2016
O autor conta que evita dar consultoria individual de carreira, mas resume o conselho geral: busque seus objetivos com cuidado, converse com outras pessoas, estude a indústria, acompanhe as transações do mercado brasileiro e internacional. É um mercado supercompetitivo; a melhor chance costuma ser entrar de alguma forma (consultoria, butique, M&A dentro de uma empresa, banco) e trabalhar duro até migrar para um lugar melhor, ou fazer um MBA nos Estados Unidos.
Investment Banking não é carreira fácil de entrar, nem de manter: envolve sacrifícios e reinvenção constante.
O próprio autor se reinventa há mais de 18 anos nesse mercado. Gratificante para alguns; não para todos.
04
23 cargos reais, tirados de vagas publicadas no LinkedIn
O autor pesquisou anúncios de julho de 2024 para mostrar o que cada empregador pede de verdade.
Os cargos do mercado financeiro não são padronizados: o mesmo cargo pode ter nomes diferentes em bancos diferentes, e o mesmo nome pode significar atribuições diferentes. Ainda assim, dá para reconhecer a proposta de um cargo e avaliar se ele faz sentido para você. Uma seleção, dividida entre entrada e exclusivos:
Analista Financeiro JúniorEntrada
Cargo clássico de entrada, mas de significado amplo: um AFJ em Investment Banking, em sales & trading ou numa empresa faz coisas completamente diferentes.
Anúncio real: MSX International, BrasíliaAnalista de Risco não financeiroEntrada
Poucas vagas por instituição, mas presente em toda instituição financeira. Exige interação constante com outras áreas e iniciativa para antecipar problemas.
Anúncio real: Goldman Sachs BrazilAnalista de Crédito Pessoa JurídicaEntrada
Exige conhecimento robusto de finanças corporativas e regulamentação, além de saber consolidar a análise numa boa apresentação para comitê.
Anúncio real: BradescoAnalista de Investimento FinanceiroEntrada
Alta demanda; o desafio é achar quem faz isso de forma profissional. Carreira em que a certificação CFA costuma pesar a favor.
Corporate SalespersonExclusivo
Cargo comercial: no início, apoia os Bankers que já têm carteira, aprendendo com eles até construir a própria.
Anúncio real: CitiAnalista de Private EquityExclusivo
Indústria super fechada: mais fácil contratar de dentro da própria indústria de PE do que formar alguém vindo de fora dela.
Anúncio real: VinciAnalista de ResearchExclusivo
Ajuda o analista de cobertura sênior a brilhar; a missão do júnior é o sucesso do time inteiro, não o próprio.
Anúncio real: XPAnalyst, DCMExclusivo
Poucas posições, mercado enorme. "Sua meta é viabilizar a emissão da dívida. E depois outra. E depois? Outra."
Anúncio real: UBS BB, São Paulo
Sobram os cargos de pressão máxima: analista de Hedge Fund ("imagine um cargo de alta pressão, agora triplique"), analista de Estratégia Quanti ("reservado para aquele seu amigo insuperável em matemática, estatística e programação") e os cargos especializados demais para um júnior, como Instituições Financeiras, Petróleo ou Bitcoins.
05
Um dia na vida de um Investment Banker júnior
Do café da manhã à meia-noite: a cena real, hora a hora, em primeira pessoa.
O livro traz cinco diários de um dia inteiro, cada um narrado por um analista júnior de uma área diferente. O de Investment Banking é o mais extremo dos cinco:
- 6h30
Acorda atrasado, corre para o trabalho, checa e-mail no caminho.
- 10h00
E-mail urgente: cliente de uma aquisição quer o valuation mensualizado "para ontem", com reunião marcada às 8h do dia seguinte.
- 13h05
Leva bronca do Associate, que o chama de incompetente pelo atraso na apresentação.
- 14h30
O sistema de dados (Capital IQ) cai sem previsão de volta; um segundo Associate pede mais quatro Company Profiles até as 18h.
- 18h15
Com o sistema de volta, tem 4h45 para recalcular o valuation inteiro e refazer a apresentação.
- 22h55
Termina no prazo, envia para revisão do Managing Director, sai para jantar.
- 23h15
Recebe WhatsApp seco do MD: precisa voltar imediatamente ao escritório.
- 23h45
Descobre o erro: esqueceu de atualizar a estrutura de capital da empresa. Toda a análise fica comprometida.
- 3h00
Depois de refazer tudo várias vezes, finaliza o material que iria direto ao cliente, sem margem para outro erro.
- 5h00
Vai para casa tomar banho. Às 7h precisa estar de volta para a reunião de alinhamento antes da principal apresentação do semestre.
"Matei quinze árvores hoje, não muito ESG!!!"
De cabeça no mercado financeiro, cap. 8, seção 8.4
06
Cada área tem seu próprio relógio
Corporate Banking, Research, Private Banking e Controladoria: rotinas bem mais previsíveis do que a de IB.
Corporate Banker
Dia das 9h às 19h: alinhamento interno, comitê de crédito, treinamento obrigatório de compliance. Tranquilo o bastante para começar, no fim do dia, uma apresentação para o fim de semana.
Research Analyst
Sai de casa às 6h15, participa da reunião da manhã com vendas e trading, escreve relatórios e, num dia raro, almoça com cliente ao lado do próprio chefe.
Private Banker
Acorda às 5h30 para treinar. O dia é uma sequência de calls sobre clientes e mercado, até um pronunciamento do FED interromper tudo e reorganizar a tarde inteira.
Controller júnior
Chega às 8h30 de olho em e-mails de auditoria e compliance. O dia gira em torno de consolidar relatórios, revisar processos e ler regulamentação nova do Banco Central.
07
Brasil x eixo RJ-SP x Nova Iorque: a geografia também decide
Onde você mora ainda pesa bastante na sua entrada no mercado, mas não é a única porta.
Antes de 1989, quando a bolsa do Rio de Janeiro quebrou, o centro financeiro do país era o Rio (antes disso, foi Salvador, até a capital se mudar para o Rio). Hoje o centro é São Paulo, mas o Rio segue relevante por causa de agentes como hedge funds, fundos de pensão e estatais: por isso o autor fala em "eixo RJ-SP".
O Brasil é bem maior do que esse eixo, e o modelo de assessores independentes (que a XP ajudou a popularizar) abriu espaço para escritórios de assessoria, corretoras e gestoras regionais, principalmente em setores como imobiliário e agro. Ainda assim, o mercado continua concentrado no eixo RJ-SP, com mais peso em São Paulo; fora dele, as melhores oportunidades estão em assessoria de investimentos, planejamento financeiro, corretoras, gestoras e nos setores financeiros das próprias empresas.
O maior desafio para quem mora fora de São Paulo é conseguir estágio: há poucas vagas remotas, e o presencial vira "intransponível" para quem mora a mais de duas horas da capital paulista.
Estágio de verão
Nos EUA, o "summer internship" é praticamente obrigatório: é assim que se entra, e o foco está mais em conhecer a pessoa e a cultura do que em desenvolver habilidades. No Brasil, alguns bancos (o autor credita o BTG como pioneiro) oferecem a mesma lógica, hoje concentrada em estudantes de São Paulo. Ele até brinca com uma hashtag, "#roomate1mes", para incentivar moradia compartilhada de quem vem de fora.
Sobre ir trabalhar fora: o próprio autor migrou de escritório dentro do mesmo banco, via visto L1, um processo moroso, caro e intransferível para outro empregador. O caminho mais fácil costuma ser ir depois da faculdade ou de um MBA nos Estados Unidos, mirando faculdades valorizadas pelo mercado, como as Ivy League: Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Penn, Princeton e Yale. Londres, segundo ele, é incrivelmente cosmopolita; já quem faz faculdade na Europa continental costuma ter mais dificuldade de entrar depois no mercado brasileiro.
Estar perto dos grandes centros financeiros ajuda bastante a entrar no mercado. Há outros caminhos, mais difíceis, mas possíveis.
Isso aqui é um resumo. O livro completo mergulha fundo nesse assunto, com exercícios práticos, os bastidores reais de 14 anos em investment banking e o raciocínio inteiro que transforma teoria em oferta de emprego.
